20 e qualquer coisa

Às vezes é assustador fazer as contas e pensar no tempo que já passou desde que os anos “teen” acabaram. Dou por mim a dizer coisas do género “Espera, eu acabei mesmo o liceu há quatro anos? O último livro do Harry Potter já foi lançado há seis?! E o primeiro Rei Leão faz 20 anos para o ano? Tenho colegas da escola básica que já vão a caminho do segundo filho? Mas… mas… que raio se passa?”

E como se olhar para trás não fosse suficientemente assustador, olhar para a frente é bem mais crítico. Vem logo o discurso do “Como é que vou arranjar emprego com uma taxa de desemprego jovem nos 40%? Onde é que vou arranjar dinheiro? De que é que vou viver? Quem é que vai estar comigo? Para onde irão os meus amigos? Será que vou casar? Vão dar corda ao relógio biológico? O quê, crianças? Ainda outro dia eu acordava mais cedo para ver desenhos animados! Oh, quem é que eu estou a tentar enganar? Eu ainda vejo desenhos animados.”

E depois sou só eu ou vocês também têm a sensação que vos estão a amarrar uma corda ao pescoço quando alguém mais velho diz: “Oh, que bela idade que tu tens! Aproveita, que esses anos não voltam!”. Que querem dizer com isso, que a partir de agora é tudo a piorar?

Sejam, pois, bem-vindos à minha caótica mente. Estes são exemplos de alguns daqueles medos que julgamos ser os únicos a ter mas que, no final de contas, são tão comuns que até nos fazem pensar: “bolas, que falta de originalidade da minha parte”.

Isto porque tropecei num texto que se chama mesmo Síndrome dos 20 e poucos anos e constatei que, realmente, se me sinto angustiada, não estou sozinha.

Lembrei-me logo também de que os 22 anos são uma espécie de idade mágica, para o bom e para o mau. Não me tinha apercebido disto antes de os fazer, mas vai desde o John Mayer a dizer “It’s been a long time since 22“, à Lily Allen a lembrar “When she was 22 her future looked bright“, passando pela Norah Jones a dizer com melancolia “She’s 22/And she’s loving you/And you’ll never know how it makes me blue”, e pela Katie Melua que suspira “Feeling 22, acting 17″, e provavelmente outros de que agora não me lembro.*

Ainda assim, a letra que acho que resume melhor esta fase estranhamente desconfortável e irresistível é a de Twenty Something. Mas, antes que acabe o texto e dê a palavra ao Jamie Cullum, deixem-me só dizer-vos que não acho que os 20 anos sejam uma instituição. Já estamos tão cheios de regras e de “deves ser assim e não assado” que pôr mais um rótulo em cima dos outros todos é inútil e desajustado. Apesar de me sentir melhor com a ideia de que não estou sozinha com o meu sentimento de angústia, gosto também de acreditar que se me apetecesse ter filhos agora, fazer um inter-rail aos 50 e casar aos 80, podia. E isso não faria com que eu estivesse errada, pois não?

After years of expensive education
A car full of books and anticipation
I’m an expert on Shakespeare and that’s a hell of a lot
But the world don’t need scholars as much as I thought

Maybe I’ll go travelling for a year
Finding myself, or start a career
Could work for the poor, though I’m hungry for fame
We all seem so different but we’re just the same

Maybe I’ll go to the gym, so I don’t get fat
Aren’t things more easy with a tight six pack?
Who knows the answers, who do you trust?
I can’t even seperate love from lust

Maybe I’ll move back home and pay off my loans
Working nine to five, answering phones
But don’t make me live for my Friday nights
Drinking eight pints and getting in fights

I don’t want to get up, just let me lie in
Leave me alone, I’m a twentysomething

Maybe I’ll just fall in love
That could solve it all
Philosophers say that that’s enough
There surely must be more

Love ain’t the answer, nor is work
The truth elludes me so much it hurts
But I’m still having fun and I guess that’s the key
I’m a twentysomething and I’ll keep being me

I don’t want to get up
Let me lie in
Leave me alone
I’m a twentysomething

*Músicas referidas (por ordem):

Who Says, John Mayer, Battle Studies, 2009
22, Lily Allen, It’s Not Me, It’s You, 2009
She’s 22, Norah Jones, Little Broken Hearts, 2012
Closest Thing To Crazy, Katie Melua, 2008

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