Última hora: somos uns grandecíssimos narcisistas (aparentemente)

Lá de vez em quando, no meio do estudo ou depois de acordar de uma noite mal dormida porque um dos professores do semestre se lembrou de lançar trabalhos à última da hora porque “a avaliação é contínua e ainda não tenho elementos que cheguem”, uma pessoa vai lendo uns disparates. Há que aliviar a tensão, certo? O pior é quando a coisa se torna tão idiota que a tensão passa rapidamente a irritação… Se não fosse verdade, até tinha piada.

Estou a falar de uma capa da Time que tem andado a circular por aí faz já algum tempo. O artigo é do início de Maio e o autor Joel Stein. A notícia? Somos a “me me me generation” (a “eu eu eu geração”?). O pouco que consegui ler na internet diz o seguinte (desculpem se a tradução não estiver grande coisa):

“Estou prestes a fazer o que as pessoas mais velhas têm feito durante toda a história: chamar os mais jovens que eu de preguiçosos, egoístas e superficiais. Mas eu tenho estudos! Eu tenho estatísticas! Eu tenho citações de académicos! Ao contrário dos meus pais, avós e bisavós, eu tenho provas.”

Ora, muitos parabéns! Alguém que encontrou uma maneira de dizer “a minha geração é melhor que a vossa” com números e citações. Espero que haja ali um nível de  sarcasmo tão perfeito que até pareça que ele está a falar a sério.

Para ser justa, não sei se o artigo tem alguma reviravolta no final, à laia de filme de Hollywood, porque não o consegui ler todo. A verdade é que o subtítulo da capa anuncia “como eles vão salvar-nos”. Parece que vamos de bestas a bestiais.

Com reviravolta ou não, confesso que não estava à espera de encontrar uma capa sensacionalista na Time. A sério… as receitas de publicidade estavam assim tão mázinhas? Precisavam assim tanto de vender? Ou de chamar a atenção? É que isso conseguiram, de certeza. Mas fiquei com sérias dúvidas relativamente à qualidade da revista, confesso. Para além de não ser muito agradável ver a minha geração ser chamada de preguiçosa e acusada de ser um fardo para os pais quando estamos afundados em dívidas de propinas e trabalhamos DE GRAÇA por causa de um sistema estupidamente desequilibrado e injusto que herdamos, também me entristece ver que o mercado tomou completamente conta dos meios de comunicação. Isso é que me preocupa. Chamem-nos o que quiserem, não vai deixar de ser idiota e ridículo. Mas daí fazerem disto capa de revista… Bem, estou preocupada. Com o “jornalismo” e com todos nós.

E, já agora, numa de “contra-informação”, as respostas, mais ou menos furiosas, que circulam por aí.

One thought on “Última hora: somos uns grandecíssimos narcisistas (aparentemente)

  1. O conceito de geração aplica-se facilmente à família. À sociedade a aplicação é muito mais ampla. Por exemplo, a geração do 25 de Abril é a de todos os que estavam vivos nesta época, independentemente de terem 10 anos ou 90…
    Falar de uma “geração” assim, será pelo ano de nascimento? Por década? Uma falta de rigor que esconde a ideia de querer dividir os cidadãos de idades diferentes.

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