As Vantagens de Ser Invisível: A (In)Finitude do Que Somos


Realizador e Autor da História Original
Stephen Chbosky

Data de Lançamento
22 de Novembro de 2012

Uma produção de
Summit Entertainment

Com
Logan Lerman,Emma Watson e Ezra Miller

Sinopse

No seu primeiro ano de liceu, Charlie (Logan Lerman) espera conseguir integrar-se na nova escola e aprender a participar. Cedo descobre que as coisas não serão tão fáceis quanto parecem. Oseu primeiro impulso é o de recuar e ver as coisas ao longe, como quem observa uma história que não é sua. Contudo, quando conhece Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson), os excêntricos meios-irmãos, Charlie descobre um mundo onde tem um lugar e cede, lentamente e com relutância, à difícil tarefa que é crescer.

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A tocante história de Stephen Chbosky, que já tinha conquistado milhares de leitores anglo-saxónicos, chega aos ecrãs pelas mãos do próprio mais polida e branda mas com a mesma intensidade emocional que as suas palavras transportam a cada parágrafo. “As vantagens de ser invisível” pede para ser visto de coração aberto e promete conquistar o espectador, fã ou não da obra literária. Seja pela nostalgia do secundário, pelas dores de crescimento que ainda vamos sentindo ao longo da vida ou pelo medo de nos sentirmos sozinhos, ou magoados, ou corrompidos por coisas que não pedimos para acontecerem, este é um filme que vale a pena sentir.

Classificação: 

8/10

Pode conter spoilers!
Houve qualquer coisa nesta história que me agarrou desde que li o título. “The Perks of Being a Wallflower”, no original. Senti-me envergonhada por não saber nem o que eram “perks” e muito menos o que era realmente um “wallflower”. E eu até costumo pensar para mim própria que um dos meus fortes é o inglês.

Esbarrei com o título quando comecei a ouvir o “zum zum” de que a Emma Watson estava de regresso aos filmes e que prometia destacar-se, neste papel, como uma pessoa muito diferente daquela que tinha apresentado em Harry Potter. Curiosa e atraída pelo desafio do enigmático título, decidi procurar um exemplar em português. Corri todas as livrarias que conheço para chegar à conclusão que não estava traduzido. “Muito bem”, pensei. “Estou a gostar cada vez mais disto”. Com o ímpeto de melhorar o inglês enferrujado e faminta por uma leitura de Verão, decidi encomendar o livro, de dicionário em riste e com muito boa vontade.

Esperei a estação inteira até que ele chegasse mas, uma vez nas minhas mãos, foi devorado em dois meros dias. A narrativa de um adolescente que acabara de entrar para o liceu e se sentia completamente inadaptado parecia falar-me directamente. Não que tenha uma história parecida, mas porque me identifiquei com o difícil percurso de aceitação do crescimento, com aquela altura em que sabemos que não há volta a dar.

Este é um daqueles filmes que vale a pena complementar com o livro, ou vice-versa. Talvez por ter sido escrito e realizado pela mesma pessoa, não só está fiel como consegue uma proeza que é rara nas adaptações: muda alguns aspectos sem comprometer a mensagem e a sensação geral que a história transmite. Também não costumo gostar de voz-offs a relatar o filme, mas esta foi capaz de me convencer.

Há que admitir que suaviza a história original. Penso que a condição de Charlie não é retratada de uma forma tão crua ou até violenta como no livro. Lembro-me de, por vezes, sentir que estava a lidar com uma personagem tão frágil e indefesa que seria capaz de fazer a coisa mais estúpida a qualquer momento. No filme, é apenas nas últimas cenas que entendemos o porquê de Charlie ser tão reservado nas relações com os outros e ter tanto medo de participar. Percebemos, então, por que razão está tão preso nos seus pensamentos, talvez, ou por que não consegue evitar, muitas vezes, voltar ao seu “lugar mau”.

A relação com a Tia Helen, no entanto, está brilhantemente representada e tem um desfecho tão, ou até mais surpreendente, do que nos livros. Por outro lado, lamento que a personagem da irmã dele tenha ficado um pouco para segundo plano quando poderia ter tido uma narrativa mais rica.

O modo como Stephen Chbosky escolhe abordar o quão difícil e incrivelmente fantástico o liceu pode ser é diferente de qualquer outro filme ou livro de adolescentes. Parece uma história para crescidos com uma inocência de criança, algo indeterminado no meio, que não é grande nem pequeno, não é maturo mas já transgrediu a linha da inocência. É um modo comovente de contar a história de um rapaz que descobriu um lugar e uma forma de olhar as coisas que, como o próprio descreve, o torna infinito.

As performances dos jovens autores não desiludem e Emma Watson, a principal responsável por ter lido o filme para começar, tal como prometido, oferece um lado diferente daquele que conhecemos e uma Sam tão convincente quanto o Patrick de Ezra, uma das personagens mais marcantes da trama, e quanto o Charlie de Logan, o rapaz de quem aprendemos a gostar à medida que ele próprio aprende a fazer o mesmo.

Ah, não podia terminar sem antes sublinhar que se houvesse um prémio para bandas sonoras, “As vantagens de ser invisível” ganhava-o, com toda a certeza, sobretudo porque as músicas escolhidas fazem sentido, não são lá colocadas à toa. Destaco “Asleep”, dos The Smiths, uma das músicas centrais e das mais mencionadas é um bom cartão de visita para os curiosos que decidirem dar ao Charlie e à sua história uma oportunidade.

“I can see it. This one moment when you know you’re not a sad story. You are alive and you stand up and see the lights on the buildings, and everything that makes you wonder. And you’re listening to that song on that drive with the people you most love in this world. And in this moment I swear, we are infinite.”

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