As séries do ano 2012

Bem, já que nesta altura do ano fico numa de balanço cultural, e como já faço o top musical, lembrei-me que o meu outro grande vício (não, não é o chocolate) não devia ficar esquecido. Por isso, aqui fica o top 10 (meu Deus, eu vejo tantas séries que consigo fazer um top 10, kill me now) das séries que vi este ano!

10. Grey’s Anatomy – Anatomia de Grey

…no ar desde 2005

Criada por Shonda Rhimes

☆☆☆☆☆☆ – 6

Decidi começar a lista com a série que já toda a gente via, menos eu! Corre nas bocas do mundo que é uma “série de meninas”, que abunda em lamechice e que é demasiado previsível. Talvez estas características me tenham mantido prudentemente afastada durante muito tempo – isso e os episódios repetidos na Fox Life – mas acabei por reconhecer que, quando há um fenómeno de audiências, a minha curiosidade costuma falar bem mais alto que outra coisa. É claro que há limites. Li o Twilight por curiosidade, mas não me parece que o vá fazer com o 50 Shades of Grey, por exemplo.

Mas como é de outras Greys que aqui se fala, devo dizer que não fiquei desiludida com o que comecei a acompanhar. Não é a minha série preferida, mas entretém e até ajuda, moderadamente, a entender uma coisa ou outra nos corredores de hospitais. É claro que evito associar aos médicos uma vida tão caótica, infeliz e inesperada, sobretudo quando os quero com a estabilidade emocional para operar quem me é querido, mas mal não faz pensar que são humanos, certo?

9. Pretty Little Liars – Pequenas Mentirosas

…no ar desde 2010

Criada por Sara Shepard

☆☆☆☆☆☆ – 6

E de uma “série de meninas” para uma série que ainda tem mais com essa conotação! Basta olhar para o cartaz de Pretty Little Liars para entender que o público-alvo consiste, sobretudo, em adolescentes/jovens adultas, do sexo feminino, com inclinação para dramas e romances de liceu. E há que admitir que cada episódio é uma autêntica passagem de modelos que faz com que qualquer rapariga que goste de um bom guarda-roupa se roa de inveja. Talvez. Mas não se deixem enganar. Há muito mais a dizer acerca desta série.

Se são o género de pessoa que gosta de ficar agarrada ao ecrã, de criar teorias, analisar perfis psicológicos e dar uns pulinhos de susto de vez em quando, então acho que deviam dar uma oportunidade a Pretty Little Liars. Adaptada de uma saga de livros para adolescentes, de Sara Shepard, a história das quatro adolescentes cuja amiga é misteriosamente assassinada levanta um véu de intriga, desconfiança e ameaças vis que nos põe a temer pelo que a cruel -A planeará a seguir. Há quem diga que é uma Gossip Girl mais sangrenta, mas eu prefiro chamar-lhe um thriller audaz e que tem conseguido manter o interesse ao longo das três temporadas. Lamento só os grandes períodos de interregno entre episódios, que acabam por fazer o espectador dispersar e esquecer-se dos pormenores que, em séries deste género, são a chave para entender o enredo principal.

8. How I Met Your Mother – Foi Assim que Aconteceu

…no ar desde 2005

Criada por Craig Thomas e Carter Bays

☆☆☆☆☆☆☆ – 7

Sigo o How I Met Your Mother desde que entrei para a faculdade e desde o seu início que o considerei um justo substituto para Friends, cujas dez temporadas devorei em duas semanas. A história da atribulada vida amorosa de Ted e dos seus quatro amigos mais próximos, Marshall, Lily, Robin e Barney, atingiu umas inacreditáveis oito temporadas sem que a personagem “central” da história, a mãe das crianças, fosse revelada, e o mistério se mantivesse até hoje. Se, a início, todos queríamos saber quem era a feliz contemplada, a meio já quase nos tínhamos esquecido da dita cuja para nos envolvermos com personagens que foram ganhando densidade, como Barney e as suas “legendárias” peripécias, Robin e a sua insana carreira jornalística e o inseparável casal Marshall e Lily e os seus desafios como marido e mulher e, mais recentemente, pais. Contudo, temo pelo fim desta série, não porque não queira que acabe mas, pelo contrário, porque receio que a fórmula se esteja a esgotar e uma nova temporada, imprevista, tenha sido recentemente anunciada. Ted já passou os trinta, os amigos já casaram, uns até têm filhos, e a vida de bar e de solteiro já não parece fazer tanto sentido. Quase que começamos a sentir um desespero para que ele se decida de uma vez, ou que ela apareça num passo de mágica, ou por obra do destino. Por outro lado, há que admitir que uma pessoa se sente menos mal em permanecer solteira ao ver a situação do Ted. Acho que no dia em que série acabar, muita gente vai dizer “Bolas, até o Ted já encontrou alguém, e eu aqui”.

7. New Girl – Jess e os Rapazes

…no ar desde 2011

Criada por Elizabeth Meriwether

☆☆☆☆☆☆☆ – 7

A encantadora Zooey Deschanel, que passei a admirar desde 500 days of Summer, decidiu dar um pulinho do grande ecrã para o pequeno ecrã. Não, não comecem já a pensar que é descer de cavalo para burro. Como a estrela desta série, Zooey mostra um lado bem mais desorientado e lunático ao que estamos habituados, sem perder a aura de inocência e girl next door que toda a gente gostava de conhecer. Com atrevimento q.b., é uma série muito family friendly e bem mais branda do que aquilo que se pensaria de uma série com uma rapariga a viver sozinha com três rapazes em casa.

6. Fringe

 …no ar desde 2008

Criada por J.J. Abrams, Alex Kurtzman e Roberto Orci

☆☆☆☆☆☆☆ – 8

Esta é, na minha opinião, e como tenho vindo a apregoar durante os últimos dois anos, uma das melhores séries de ficção científica da actualidade, se não a melhor. Tempo, universos paralelos, teletransporte, telecinécia, projecção astral, observadores, viagens no tempo, criaturas estranhas… os ingredientes estão lá todos, e tão bem misturados, que acho que mesmo quem não tem particular preferência por ficção científica conseguirá achar esta série, no mínimo, bastante tolerável. As personagens principais, Olivia, Peter e Walter, estão muito bem desenvolvidas, são consistentes e envolventes. Até uma pessoa como eu, que não percebe nada de física, química e ciência no geral, teve curiosidade de ir procurar as teorias que a série levanta. Mas, mais que isso, fez-me pensar. No que somos, no que fazemos, na razão por que o fazemos e de que modo o que nos acontece acaba por moldar aquilo em que nos tornamos. Mas isto é só um resumo. As questões são muito mais. E, com grande pena minha, como a maioria das boas séries de ficção científica que não envolvem zombies às dentadas ou macabras ligações, o seu fim está anunciado para esta temporada.

5. Sense and Sensibility – Sensibilidade e Bom Senso

..mini série de 2008

Realizada por John Alexander e adaptada por Andrew Davies

☆☆☆☆☆☆☆ – 8.5

Li o romance de Jane Austen no início de 2012 e, curiosamente, mesmo após o ter acabado, em vez de ir ver as adaptações cinematográficas ou a edição em série mais antiga e conhecida, fui dar com esta mais recente adaptação de 2008, emitida pela BBC. Não me consta que tenha sido emitida em Portugal em algum canal, mas eu não me arrependo nada de a ter visto. Com um elenco que me era desconhecido mas que não desilude nem por um minuto, esta mini série está realizada com uma enorme sensibilidade, fazendo justiça ao nome, e com um cuidado na fotografia que é de louvar. Quando a história fala por si e as personagens nos são familiares, o melhor que se pode esperar de quem a adapta é o cuidado não de transpor exactamente para o ecrã aquilo que se leu no papel mas de pegar cuidadosamente na sensação que a obra lhe transmitiu e imprimi-la na película da melhor forma que sabe, pela sua perspectiva. Penso que, neste aspecto, esta é uma série muito bem conseguida e inspiradora.

4. Once Upon a Time – Era uma Vez

…no ar desde 2011

Criada por Edward Kitsis e Adam Horowitz

☆☆☆☆☆☆☆ – 8.5

Once Upon a Time estreou já no final de 2011. Confesso que, antes de ver a data de estreia, quase juraria que tinha sido uma série deste ano. Já na segunda temporada, a ideia de Kitsis e Horowitz, conhecidos por Lost, tem feito sucesso e conquistado espectadores de várias idades. Numa altura em que se multiplicam as adaptações dos contos infantis que todos conhecemos a uma versão mais adulta (muitas delas bastante grotescas, revolta-me até que cheguem às salas de cinema), esta afirma-se como aquela que é capaz de o fazer sem trair o original. É claro que os desvios são imensos, e que muitas vezes é complicado reconhecer as princesas, príncipes e monstros que nos foram apresentados quando éramos ainda muito pequeninos, mas rapidamente se torna plausível que Henry seja o único rapaz lúcido, capaz de ver para além das vidas banais de toda a gente.

3. Sherlock

…no ar desde 2010

Criada por Steven Moffat e Mark Gatiss

☆☆☆☆☆☆☆ – 9

Antes de continuar, tenho que dizer que fiquei mesmo muito indecisa em relação a estes três primeiros lugares, porque todas estas três séries me apaixonaram quase de imediato. A única razão para Sherlock estar em terceiro e não em primeiro lugar é, na verdade, um bocado injusta no panorama geral. Só vi os episódios da primeira temporada, e apenas ontem vi o primeiro da segunda, pelo que achei que não a poderia avaliar na totalidade sem a ter visto na toda. Contudo, para todos os efeitos, bem podem encarar este como um primeiro lugar. Para além de um elenco de luxo – confesso também que é para mim um prazer ouvir os cerrados sotaques londrinos das personagens -, é uma série muitíssimo bem escrita e com um ritmo absolutamente aliciante. Se há algo que esta série nunca será é aborrecida. Sem o exagero de efeitos especiais complexos, recorrendo ao invés a raciocínios intricados e intrigas envolventes, é impossível não ganhar afinidade pelos investigadores secretos, Sherlock e John Watson, e não sentir o entusiamo ao entrar no pequeno apartamento que partilham em Baker Street.

2. Downton Abbey

 …no ar desde 2010

Criada por Julian Fellowes

☆☆☆☆☆☆☆ – 9

Com a qualidade a que a BBC já nos habituou, Downton Abbey é a série sensação! Aquilo que disse relativamente a Sherlock aplica-se completamente a Downton Abbey: não só não tive tempo de completar as três curtas temporadas – quando uma coisa é realmente boa, tento poupá-la, para não a gastar toda de uma vez sem a apreciar como devia – como, em termos de actualidade, ambas foram lançadas antes do ano de 2012, daí terem ficado ligeiramente atrás. No entanto, no que diz respeito a qualidade do enredo, da história e da rodagem, Downton Abbey dá-nos tudo o que pedimos e ainda mais! Mais uma vez, as performances dos actores são irrepreensíveis, as personagens têm densidade e perfis psicológicos bastante bem delineados. O facto de ser filmada realmente na moradia de Downton Abbey, em recuperação, confere-lhe ainda realismo e transporta realmente o telespectador para as angústias da Primeira Guerra Mundial e para o mundo da aristocracia do início do século passado. Se Sherlock é um bom modelo a seguir, penso que Downton Abbey é um exemplo perfeito de como uma série não deve cair na preguiça dos planos tradicionais, sempre iguais, com a luz já pronta em estúdio, como fast food, rápida a consumir e filmar. A originalidade de realização e o cuidado em tornar sempre novo e atraente o cenário (real) que, embora não pareça, está consignado sempre aos mesmos recantos de jardim e quartos, é uma excelente lição de originalidade.

1. Perception

…estreou a 9 de Julho de 2012

Criada por Kenneth Biller e Mike Sussman

☆☆☆☆☆☆☆ – 9

Por fim, o primeiro lugar foi conquistado por Perception, a novíssima série do TNT. Quem me conhece sabe bem que sou completamente fascinada pelo funcionamento do cérebro humano. Estou convencida de que, se não tivesse decidido enveredar por ciências da comunicação, tinha andado pela neurociência, pela psicologia e pela antropologia. Provavelmente por isso, nem pensei duas vezes quando li a descrição desta série, mas tenho a dizer que os primeiros três episódios não foram capazes de me convencer. A série só ganha vigor sensivelmente a meio, quando julgamos começar a entender o modo como funciona o esquizofrénico paranóico Dr. Daniel Pierce. E digo “julgamos” porque se há coisa que a série não oferece é certezas. Personagens que vão e vêm e nunca chegam a sair da cabeça de Daniel misturadas com crimes bem reais e pessoas mais ou menos neuróticas. No final de contas, e por incrível que pareça, damos por nós a perguntar: será que quero mesmo que as alucinações (ou as ilusões) acabem?

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