Olá, blogue! Estou de volta, depois de muito, MUITO tempo sem aqui passar. Podia argumentar, como costume, que não tive tempo de passar por cá (uma desculpa quase tão velha como a “não és tu, sou eu”), mas estaria a mentir. Podia, inúmeras vezes, ter cá vindo escrever qualquer coisa, mesmo que pequenina e insignificante, porque o objectivo disto não é escrever coisas grandiosas, bonitas, dignas de serem chamadas obras de arte. Eu entendo isso e percebo também que dizer que foi pressão ou bloqueio criativo é simplesmente um completo disparate.

Posto isto, que tenho eu a dizer? Tenho sempre muito que dizer. E também tenho sempre o invariável impulso de me calar. Mecanismo estranho, o meu. Mas enfim, justificações. Temo não conseguir continuar se não me explicar.

Os últimos meses não foram os mais fáceis de sempre. Também não foram os mais difíceis, já passei por coisas piores (“embora de momento não me lembre de nenhuma”, como diria o John Smith xD; não é o caso, até me consigo lembrar de umas quantas). Como explicar? É como quando se está a fazer um castelo de cartas e se está com um medo constante que elas desabem todas porque alguém se lembra de abrir a porta. Eu sei que estou a construir o castelo certo, sei que tenho de o fazer até ao fim e, sempre que ele desabar, tenho de voltar ao princípio e fazer tudo de novo. E isso já aconteceu. Lá de vez em quando, cai uma carta ou outra e, quando quero pegar nelas para as voltar a pôr onde as pus originalmente, parecem-me muito mais pesadas e difíceis de encaixar. Mas eu lá vou arranjando maneira de o fazer.

Não sei muito bem por que é que estou aqui a construir este castelo. Confesso que pergunto várias vezes a mim própria o que terei feito, que decisão é que me levou a esta tempestade mental. Por mais que olhe para trás e tente ver as coisas com novos olhos, com outra maturidade, não consigo ver o que faria diferente. Não me consigo arrepender de coisa nenhuma, porque cada acção, cada pequena decisão que tomei são só o reflexo da pessoa em que me tornei, e eu sei que esta pessoa não o conseguiria fazer de outra maneira. Sei, pelo contrário, que fiz bem mais do que alguma vez me atreveria a fazer noutras circunstâncias. Talvez me devesse orgulhar por isso.

Já tentei ficar chateada. Muito chateada, mesmo. Amargurada, até. Ouvir canções da Adele em repeat poderia ajudar… Ou cantar a plenos pulmões, com os Mumford and Sons, frases soltas que fazem todo o sentido. Ver filmes deprimentes. Amaldiçoar as coisas a que antes me agarrava. Mas não consigo. Não sou capaz, é tão drástico e apocalíptico. Não sou assim, não quero nenhum mal a ninguém por coisas de que nenhuma pessoa tem culpa. Tenho pouca sorte. E depois? Não vale a pena ficar chateada com ninguém por causa disso, pois não?

O que custa mais é terem-me arrancado as coisas em que eu acreditava com tanta força e convicção. Alguns chamariam a isso crescer. Eu chamo-lhe ficar velha. E pesada. E rabugenta. E soturna.

Tenho a sensação que isto tudo já me magoou tanto e de tantas maneiras diferentes que qualquer coisa que se passe daqui em diante já só me causa um formigueiro estranho. Estou dormente. Fiquei “confortavelmente dormente”.
Acho extremamente irónico que, há uns anos atrás, as minhas canções favoritas sejam aquelas que agora fazem tanto sentido.

“Why do you laugh
When I know that you’re hurt inside?
(…)
It’s just another day, nothing in my way
I don’t wanna go, I don’t wanna stay
So there’s nothing left to say
(…)
A tell tale sign
You don’t know where to draw the line
(…)
Well, for a lonely soul you’re having such a nice time”

“Why would I wanna see you now?
To fix it up, make it up somehow
(…)
What I was isn’t what I am
I’d change back but I don’t know if I can…”

“Come on in
I’ve got tell you what a state I’m in
I’ve gotta tell you in my loudest tones
That I started looking for a warning sign
(…)
When the truth is… I miss you so”

É, eu ouvia uma barrigada de Keane e de Coldplay que era um disparate (cof cof, como se ainda não ouvisse).

Este entorpecimento todo é um bocadinho angustiante. O pior que podem fazer a uma pessoa é tirar-lhe os sonhos. E sim, é verdade que tenho ainda muitos, mas não sei se ainda acredito neles. Há uma parte de mim que os guarda com carinho e outra que revira os olhos e diz: “És mesmo estúpida, sabes muito bem que o mundo real não é nada disso que tu imaginas.” E não se trata de preencher o tempo com outras coisas, ou de explorar outras direcções. Trata-se de eu encontrar um modo de procurar no horizonte qualquer coisa bonita e brilhante. Credo, agora assim de repente parecia que o Nicholas Sparks se tinha apoderado de mim. Bah, que susto!

Portanto, como dá para ver, continuo o mesmo desastre emocional de sempre, e talvez por isso faça sentido eu continuar a escrever para aqui. E escrevo, componho, canto, toco, desenho (mal e “porcamente”), vejo, mesmo ao meu lado, um mundo de personagens e ficção que me acalenta. Bem, cada um usa a cura maluca que melhor lhe serve, certo?

Por hoje chega. Já compensei a ausência.

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