Resoluções

Todos os anos, exactamente na noite de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro, costumo estar com a minha família, a ouvir rádio, à espera das 12 badaladas, a lutar com os saltos altos mesmo antes de a festa propriamente dita ter começado.

Há alguns anos que fazia religiosamente uma lista com 12 desejos, ordenados cuidadosamente do mais para o menos importante. Guardo as listas desde 2006 ou 2007. São muitos os desejos que se repetem, uns outros quantos que se vão realizando, aos pouquinhos, e ainda uns outros que perdem importância.

O ano de 2012 é o primeiro, desde que me lembro de ser eu, que chegou sem lista detalhada. Comi as passas todas as mesmo tempo, fechei os olhos por segundos e sorri. Depois apercebi-me do silêncio na rádio, que ainda transmitia as 12 badaladas, e apercebi-me de que poderia ser eu a escolher a primeira música que ouviria no novo ano. Corri para o Ipod e, sem pensar, escolhi uma que se chama “Let Love Be Your Energy” e que já não ouvia há imenso tempo. Voltei a sorrir. Que raio de escolha para se fazer! Podia ter escolhido uma música com muito mais significado para mim, com uma letra sugestiva e uma mensagem de esperança – enfim, aquelas coisas a que o ano novo inspira. Mas não. Fui logo escolher uma música que não costumo ouvir e que até nem tem assim tanto significado para mim, se pensar bem nisso. Nem está na minha lista de favoritas. Ainda assim, pareceu-me apropriada, à luz do meu único desejo e das minhas 12 resoluções. Sim, porque eu comprometi-me a fazer 12 coisas, mas não sem pedir algo em troca. Como o diz a música, uma espécie de fuel para as conseguir cumprir.

Desde então, tenho revisitado pouco a minha lista, mas lembro-me várias vezes dessa decisão. A Sofia de há uns anos atrás provavelmente pediria maior sabedoria literária, talvez sucessos académicos e tréguas para a sua irremediável insegurança. Eis que agora me armei em destemida e achei que já era altura de parar de camuflar a minha identidade com coisas sem importância. Ou de culpar as circunstâncias, ou de me culpar a mim própria por não as saber controlar.

Nas minhas mãos ou não, sinto que fiz um pacto. Com quem? Em última instância, comigo própria. E algo me diz que esta talvez tenha sido uma das decisões mais perigosas e decisivas da minha vida.

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