Olhares de metro das seis da tarde

Há qualquer coisa na maneira como as pessoas se olham no metro que me faz pensar…
Não é preciso muito para perceber que os olhares que se destacam são, regra geral, pertencentes a semblantes carregados, tão carregados que parecem arrastar o peso do mundo consigo. Com a cabeça encostada à janela, os olhos cravados no escuro do túnel, meio desequilibrados, cada um segue o seu caminho, sai na sua estação, rumo sabe-se lá a quê, a quem, com que propósito, com que motivação. Não são os homens engravatados, todos vestidos de igual, que me fazem confusão, ou a postura cansada de quem volta do trabalho, ou a confirmação impaciente das horas a cada minuto que passa. É o ar. Não me lembro de ter visto alguma pessoa a sorrir para outra no metro em hora de ponta. Parece que há um desânimo, um peso que ninguém sabe muito bem quem é que traz, mas que toda a gente partilha e, em vez de o tornar mais leve para o que vai ao seu lado, torna-o ainda mais pesado e doloroso de transportar. É uma epidemia. Será que estamos assim tão atolados de problemas? Será que não conseguimos ver o mundo sem este cinzentismo todo?

Ou, pior ainda, será que, tal como as pessoas que entram em pânico colectivo sem justificação válida, estamos a entrar numa onda de pessimismo e desânimo colectivo, que ninguém sabe como quebrar?

Para a próxima, hei-de me lembrar de entrar no metro e sorrir às pessoas. Não quero deixar que fiquemos todos com olhares de metro sem antes fazer tudo o que posso para o evitar.

Letra:
All around me are familiar faces
Worn out places, worn out faces
Bright and early for the daily races
Going nowhere, going nowhere
Their tears are filling up their glasses
No expression, no expression
Hide my head I wanna drown my sorrow
No tomorrow, no tomorrow

And I find it kind of funny
I find it kind of sad
The dreams in which I’m dying
Are the best I’ve ever had
I find it hard to tell you
I find it hard to take
When people run in circles
It’s a very very, mad world, mad world

Children waiting for the day they feel good
Happy Birthday, Happy Birthday
And I feel the way that every child should
Sit and listen, sit and listen
Went to school and I was very nervous
No one knew me, no one knew me
Hello teacher tell me what’s my lesson
Look right through me, look right through me

And I find it kind of funny
I find it kind of sad
The dreams in which I’m dying
Are the best I’ve ever had
I find it hard to tell you
I find it hard to take
When people run in circles
It’s a very very, mad world, mad world
Enlarging your world, mad world

2 thoughts on “Olhares de metro das seis da tarde

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