“Silêncio, escuridão… e nada mais!”

Este filme é um must da cultura açoriana e nacional! É do nosso grande Zeca Medeiros e conta a história do também grandioso Antero de Quental. Gosto muito dele… por ser o padroeiro do meu querido liceu, em Ponta Delgada… por ser um dos mais conhecidos poetas açorianos… por ter feito um trabalho sobre ele com muito gosto, que nos valeu, na altura, um prémio nacional… por ser uma das pessoas que mais me intriga ainda hoje… e por ter escrito alguns dos mais belos sonetos que alguma vez li. Naqueles dias em que desconfio da poesia, leio Antero e o fascínio volta com mais força.

Talvez seja o mistério. Talvez seja a compreensão e solidariedade para com o que sentia. Ou talvez até seja pena.
Esperança e uma âncora que o segurasse à vida… Era o que estava e ainda está atrás do banco em que se suicidou. E de lá nunca mais saiu.

Ando feita doidinha à procura da interpretação desta música na íntegra, mas não a encontro em lado nenhum. Já estive mais longe de a ir pedir aos arquivos da RTP Açores. É claro que podia sempre pedir ao Raúl Resendes. Tendo ele sido o actor principal, deve ter pelo menos uma cópia, certo? Mas não tenho lata. São as contingências de ele ser o pai do meu ex-namorado – com quem, na altura destas gravações, eu namorava; aliás, lembro-me de ele me ter enviado uma mensagem a dizer que estava na casa onde se vê aquela cena mais íntima, envergonhado por ver o pai a fazer aquelas figuras.

Música, não há. Mas o soneto, que veio muito antes da música e que já me tinha conquistado antes de alguém o ter tocado, ninguém mo tira.

O Palácio da Ventura

Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busca anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura…
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formusura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado…
Abri-vos, portas d’ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d’ouro, com fragor…
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão — e nada mais!

Antero de Quental

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