Como andar de bicicleta

Aqui na FCSH estamos em semana de praxes.

Hoje fui assistir à eleição da Miss e Mister caloiro de CC e fiquei contente por ver que a organização dos anos anteriores se mantinha e que o pessoal se diverte. Não tendo o espírito académico mais apurado do mundo para me juntar à organização, acho excelente que outros o façam com gosto e de uma forma divertida para eles e para os caloiros. Mas devo confessar que fiquei surpreendida com a sensação que tive. Estava aqui a pensar com os meus botões, antes de escrever, que seria normal que recordasse a minha própria praxe. Que pensasse em como me tinha sentido quando era eu própria sentada naquelas cadeiras, a ver tudo a acontecer pela primeira vez, a ouvir os veteranos a puxar por nós. Deveria lembrar-me como se tivesse sido ontem porque, no final de contas, foi apenas há dois anos. Não foi assim há tanto tempo.
Foi. Dois anos passados aqui são uma jornada e pêras! Até podemos ter a ilusão de que as coisas passaram muito depressa, de que ainda outro dia estávamos a pôr os pés pela primeira vez na faculdade, mas o caminho que cada um de nós percorreu desde então é tão longo que parece impossível recuarmos ao tempo em que nada disto nos era familiar, em que não reconhecíamos as pessoas nos corredores ou cumprimentávamos os professores. Pensar nas aflições do primeiro ano, na preocupação inocente em tirar sempre apontamentos e em participar, os vícios do secundário com que viemos. Se agora me pusessem um dia numa escola secundária a ter aulas, ia ser um choque imenso, porque, provavelmente, não seria nada do que me lembro.

Ainda assim, este sentimento de ter percorrido um longo caminho que se aproxima do fim consegue ser compatível com um outro que me bate levemente no ombro e lembra: “Ainda é muito cedo”. E é. Eu, licenciada? Como é que isto aconteceu? Ou melhor, como é que isto vai acontecer? E depois disto? Não há percursos recomendados, não há currículos orientados. Agora sou só eu. Vão tirar-me as rodinhas da bicicleta. E não é que eu não saiba andar sem elas. Já experimentei tirá-las e não correu mal. O problema é não saber para onde a devo levar. E escusado será dizer que não posso estacionar a bicicleta a um canto e esperar que ela me diga para onde devo ir. Se calhar o nosso problema é mesmo esse. É pensar que a podemos pôr em modo automático e ela lá nos há-de levar a algum lado. Mas não é nada disso. Agora que a temos, ou estamos em vias de a ter, ou tomamos a decisão de a tornar melhor, mais resistente, mais bonita e confortável, ou então pegamos nela e guiamo-la para onde puder ser.

E então agora, o que vai ser? Não há sinais na estrada. As setas não apontam para lado nenhum. Voltar atrás não é opção. Andar aos ziguezagues põe-me tonta. E à minha frente há uma curva tão apertada que não consigo ver o que está para lá dela.

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