Outra vez

Eu ia dizer “Adeus outra vez”, mas comecei a desenvolver um pequeno ódio de estimação pela palavra “adeus”.

É, estou amanhã bem de manhãzinha de regresso a Lisboa. Continua a não ser fácil pensar que amanhã não vou estar aqui no meu quarto, a respirar o ar húmido dos Açores. É claro que é muito mais fácil do que antes. Não vou para o desconhecido. Vou para junto de pessoas que me são queridas na faculdade, vou completar o último ano, queimar fitas, dizer aufiderzin e juntar-me aos licenciados que por aí andam aos molhos. O último ano da licenciatura sempre me pareceu uma coisa tão longínqua que custa a crer que já cá cheguei. Que sou do terceiro ano. Não há ninguém mais velho por lá, somos só mesmo nós. Licenciada. E agora, o que é que vou fazer?

Não sei, sobretudo quando as coisas me parecem tão boas por cá. A minha janela, a deixar entrar a lua, ilumina a parede que eu pintei, com uma árvore da vida, e deixa entrar o vento que me afaga e acompanha para todo o lado… o vento que traz o ar do sítio a que cada vez mais sinto que pertenço, ainda mais quando tenho de ir embora.

Será que o meu futuro vai ser assim? Outrora, o meu sonho era correr o mundo à procura ainda não sabia bem do quê. Se calhar à procura duma coisa por que procurar. Sítios diferentes, viagens, aventuras, riscos… Agora, o meu sonho é encontrar a minha casa. Não, não um sítio que seja o meu abrigo do mundo. Um sítio para me ligar a tudo o resto. Ou talvez nem sequer um sítio.

Uma casa. E o sentimento de pertença.

One thought on “Outra vez

  1. I think you just have to let it flow. E não acho que esta altura seja a mais complicada da tua vida. Acho que já passaste pelo pior. É como tu dizes, agora só procuras um lar. Ele ele vai chegar, quer queiras, quer não. Eu própria fiquei nostálgica quando li este post. Terceiro ano, último ano, a pôr os pés num mestrado, a entrar para o mercado de trabalho. A ser adulta. Para mim, é-se adulta quando se acaba a licenciatura. E tu estás a tornar-te numa e pêras. Eu tenho medo, também. Mas como tem que chegar e é impossível ignorar o tempo…vai-te a ele! :D
    Há coisas que não mudam.

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