Another breakthrough on relationships

Eu sei, é um bocadinho ridículo estar a fazer títulos em inglês quando sou portuguesa, mas, que hei de fazer? Soa tão bem assim! Ok, se calhar não são os melhores títulos do mundo, mas são os que consigo arranjar. Deal with it, world (see what I just did? oh, I’m becoming annoying xD).

Mas hoje o assunto é outro. Sim, vou falar outra vez de relações amorosas. E vou sublinhar mais uma vez que acho o assunto bastante interessante pela curiosidade académica e pelo interesse que tenho em relações humanas. Por que é que tenho de explicar isto todas as vezes a mim própria? Oh, eu sei porquê. Porque a linha que separa a curiosidade académica do desespero pessoal pode parecer muito ténue. Na verdade, não é assim tanto.

Uff, eu hoje estou demorada com as introduções! Ora, como eu estava a dizer, o assunto recai sobre as relações amorosas e, mais particularmente, sobre as “crushes”(as “paixonetas”) que as raparigas têm. Não há nenhuma razão específica para estar a abordar o assunto pelo lado feminino para além de eu própria ser uma rapariga que, há um ano atrás, ainda era considerada uma adolescente. Sinto-me simplesmente mais à vontade para tecer considerações acerca daquilo que conheço.
Quantas vezes ouvimos, ou nós próprias dizemos: “Apaixono-me sempre pelos rapazes errados”? Também há a versão: “Não gosto dos rapazes que gostam de mim e aqueles de quem gosto nem reparam que eu existo”. Ou algo parecido. É uma experiência que fica a meio caminho da rejeição e da indiferença. Muitas vezes, esses rapazes nem imaginam que as raparigas em questão podem sentir algo mais por eles, sobretudo porque os sinais que as raparigas mandam são, regra geral, demasiado subtis para os rapazes compreenderem. Não que os esteja a chamar limitados. Bem, na verdade até estou, mas de uma maneira carinhosa (se é que isso melhora as coisas).
A minha teoria é que, no momento em que esses rapazes passassem a reparar nas raparigas em questão, estas acabariam por perder o interesse. Por uma razão muito simples. Porque aquilo que as atraiu no início a estes rapazes desapareceria. Ou seja, aquilo que as fazia gostar destes rapazes não era os seus fantásticos abdominais, olhos deslumbrantes ou fantástico sentido de humor, mas o facto de não estarem ao seu alcance. Até aqui, não parece nada de novo. A “boa e velha” perseguição do impossível. Mas não se resume a isto. Talvez o que vou dizer a seguir não seja novidade nenhuma, mas só agora pensei nisso e fez sentido (bling! eureka!).
As raparigas têm, muito frequentemente (demasiado frequentemente) uma baixa autoestima. Isso implica que não sejam grandes fãs de si próprias, o que se pode traduzir num sem número de coisas: o acharem que não são coisas que deveriam ser, como não serem inteligentes, ou não serem atléticas, ou altas, ou morenas, ou louras, o que se junta aos típicos pensamentos do “sou demasiado”, como o “sou demasiado gorda”, “sou demasiado magra”, “tenho um nariz demasiado grande”, “tenho demasiadas borbulhas”. É, de facto, impressionante o que uma borbulha na cara, uma camisola que não nos favorece ou um cabelo mal penteado podem fazer ao nosso comportamento. E é também impressionante o quão afecta toda a nossa vida. Faz todo o sentido: a ideia que temos de nós enquanto indivíduos altera a maneira como vemos os outros, porque só os vemos em relação com o “eu”. Sendo assim, estou convencida de que o que leva estas raparigas a olharem para o impossível é o pensamento inconsciente de que elas não merecem realmente estar numa relação com alguém e serem amadas. Assim, refugiam-se nestes sentimentos que nunca poderão ser cumpridos como um modo de assegurarem aquilo que, nas suas cabeças, faz sentido, ou seja, não serem amadas.
Mas não será esta fixação em amores platónicos um reflexo do medo de compromissos? Eu acredito que não. Nestes casos, elas não temem assumir uma relação séria. Estão é tão presas aos seus problemas consigo próprias que acham altamente improvável que alguém possa gostar delas. O que também faz todo o sentido. Por exemplo (um bocado tolinho, admito), não gosto nada de azeitonas, por isso, não as recomendaria a ninguém. Se estas raparigas não gostam de si, também não se conseguem recomendar aos outros.
Por isso mesmo, acho que a “culpa” de as raparigas gostarem de cantores, atores ou do rapaz mais giro da turma que não lhes liga nenhuma é única e exclusivamente delas. Não, não é o destino. Não, as declarações deles não são o reflexo dos pensamentos delas. Não, não é por pensarem são as pessoas mais giras à face da terra. É, sim, por alimentarem uma ideia lastimável acerca de si próprias.
Não estou, é claro, a dizer que o amor que se sente nestas situações não é genuíno. Eu acho que é tão verdadeiro como outro qualquer, se a rapariga assim o achar. Estou, sim, convicta de que o processo de seleção de um parceiro, ou melhor, os critérios que juntamos voluntária e involuntariamente podem ser mudados.
E assim sendo, quem sabe, um dia aquele rapaz muito simpático que fala com ela com interesse se venha a revelar, afinal, muito mais interessante do que os rapazes mais concorridos do mundo.

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