Que profissão mais respeitas?

Acabei de encontrar o resultado de uma sondagem do Açoriano Oriental que é deveras interessante. A pergunta é simples: “Qual a classe profissional que mais respeita?” As respostas não são muito surpreendentes.

1º Bombeiros (30,81%)
2º Médicos (18,71%)
3º Professores (14,72%)
4º Outros (12,24%)
5º Enfermeiros (7,7%)
6º Polícias (5,91%)
7º Juízes (5,54%)
8º Jornalistas (2,61%)
9º Políticos (1,79%)
10º Advogados (0,96%)

Confesso que fiquei surpreendida ao ver os professores em 3º lugar, mas a probabilidade de terem sido o próprios professsores a votarem em si próprios é grande. Ainda assim, não deixa de ser interessante ver o porquê destes resultados. O que se segue é pura especulação, claro.
Percebo os bombeiros. São aqueles que heroicamente põe a sua vida em risco ao entrar em prédios em chamas para salvar as vidas dos outros. Verdadeiros actos de altruísmo qu impõem respeito.
Os médicos, para além de também salvarem vidas, – e cobrarem 80€ para dizer que estamos a tomar a medicação certa e não há mais nada que se possa fazer – passam por seis excruciantes anos de escola de medicina bastante chatos e complicadinhos. Por isso, eu própria também os admiro. Por isso e por terem vidas nas mãos e, mesmo assim, não perderem a cabeça.
Escusado será dizer que também respeito profundamente o professores, não só porque tenho dois em casa como porque estou no ensino público há 16 anos. Sei bem o que se sofre quando não há ninguém na sala que nos queira dar ouvidos. E ainda mais, quando são os próprios pais a cair-lhes em cima.
Entre os enfermeiros e os polícias, a percentagem ainda é significativa. Tal como os bombeiros ou os médicos, são profissões heróicas e altruístas. Seria só de reflectir por que é que não estão, então, equiparados a eles, com percentagens mais próximas.
E eis que chegamos à base. Juízes, jornalistas, políticos e advogados. São exactamente aquele género de pessoas que detém a porção certa de poder nas mãos para começarem a ser vistos como ameaças. Os juízes têm uma enorme responsabilidade, ao decidir as punições ou falta delas aos cidadãos. É um alto órgão de soberania, com enorme responsabilidade. Ao lado dos advogados, devem ser as mãos da justiça, um dos mais altos valores da sociedade ocidental, ao lado da democracia. Mas existem erros, incompetência – como em tudo, claro está – e a possibilidade de abuso de poder é vista com maior desconfiança.
Oh, e nem me façam falar dos políticos! Qualquer desgraçado que vá para primeiro ministro é humilhado até dizer “chega”. É considerada a pessoa com mais poder no país; logo, há-de ser a mais desonesta e abusadora, segundo as nossas lindas cabecinhas. Este é provavelmente o trauma dos anos a fio de ditadura, de monarquias absolutistas e abusos de poder. É capaz de estar também relacionado com o facto de sermos nós, enquanto cidadãos, os fiscalizadores do poder, os que assumem a responsabilidade de velar pelo bom funcionamento da democracia, em nosso próprio interesse.
Falta-me, é claro, falar dos jornalistas. Não é por acaso que os chamam o “Quarto Poder”. É claro que isso não passa despercebido ao senso comum. Apesar de o seu dever máximo ser o de velar pela liberdade de expressão, de informação, esclarecimento, a sua posição não deixa de ser mal vista. É claro que tenho as minhas opiniões, naturalmente bem mais extensivas, acerca do jornalismo e do modo como é feito, mas sobre isso não me vou pronunciar, pelo menos por agora. Tudo a seu tempo, e eu acredito que esse tempo ainda não chegou.

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