Praia de Santa Bárbara

Gosto de me pôr a imaginar como seriam as coisas se aqui estivesses. Arrancar-me-ias o livro das mãos e obrigar-me-ias a viver esta praia, a areia quente, o sol alaranjado e mimoso de fim-da-tarde, o rugir das ondas do mar, a brisa fresca, o céu sem nuvens, ao sabor estival e lento de um dia que não precisa de ter fim, ou meio, ou princípio sequer, tecendo e fundindo linhas e linhas de conceitos, pensamentos, teorias, equações, perguntas,sem perseguir respostas…? Serias uma âncora a esse universo de notas cantadas e não contadas?

Mal sabes tu que já o és.

Mal sabes tu que estás comigo a ver os surfistas a desafiar as ondas, a observar as pessoas a fecharem os guarda-sóis e a arrastarem as cadeiras de praia, enquanto outras resistem com um livro na mão ou uma preguiça perdoável. E os grãos de areia que brilham aqui e acolá sem critério, e a música que eles não ouvem e me acende a melancolia. Talvez seja de tanto pensar que estás aqui comigo que, por vezes, me parece que já nos conhecemos melhor do que o tempo escasso que partihámos juntos permite.

E quanto mais o imagino, mais sinto a incerteza do que farias, o vazio do que nunca chegas a fazer. O vazio de não o saberes. O vazio que me preenche de fora para dentro. O espaço aberto, a cama por fazer sem nunca ter sido usada verdadeiramente.

Um dia, quando cá estiveres, falar-te-ei de ti.

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