Morte não anunciada

Em mim, por fim, morreste
Sem choros, sem condolências
Ou suspiros de frustração

Partiste sem despedida
Sem aviso: “Estou de saída”
Esqueceste a explicação

Nunca disseste: “Um dia
Quando quiseres chamar por mim
Já lá não vou estar.”

Já me terei, então, afogado
No tempo mal contado
Que deixámos de partilhar.

Se, ao menos, tivesse sabido
Que de mim te ias perder
Talvez te prendesse com jeito

Mas não pensamos nós sempre
Que, se enganássemos os anos
Pintávamos tudo perfeito?

Os relógios não se enganam
O engano somos nós
E as sombras que deixamos

Tu já foste, não te encontro
Já se foram gargalhadas
E a alegria que gritávamos

De quando em vez ainda penso
Que ouço o teu respirar
É suspensa a expectativa

Até que a sensação se vá
Tu sejas só pó de sonhos
E voltes a deixar-me à deriva

O que se faz quando se pensa
Que nada do que conquistado
Me impediria de voltar atrás?

Todo o conhecimento do mundo
Afoga toda a inocência
Do que antes se conheceu

Em mim, por fim, morreste
Sem consolo, choro a partida
Porque quem te matou fui eu.

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