“All things go”

Dei comigo a pensar no que muito recorrentemente se costuma dizer, sobretudo a pessoas com os meus 19 anos ou algo que se aproxime. “aproveita a vida, vive ao máximo”. Isto concretiza-se de maneiras diferentes para cada pessoa, mas o que costumo ouvir é “viaja muito”, “conhece muitas pessoas”, “experimenta muitas coisas”, “estuda coisas diferentes”, “arrisca”… Mas estas coisas, o que é que significam realmente? Sim, percebo que me digam que devo aproveitar a vida, mas o que significa, de todo, “viver mais”? Quando dou comigo a pensar, vivemos todos o mesmo. Posso fazer montes de viagens, conhecer um montão de gente, saber uma carrada de coisas mas, no final de contas, para quê e para quem? Tenho de fazer estas coisas todas para “viver muito” e poder contar muitas coisas? Sou várias vezes assaltada pela sensação de que não sei muito bem o que é que devo fazer, de que não estou a ser aquilo que me imaginaria a ser quando era mais pequena. Imaginava que já poderia ter alcançado muitas coisas. E, na verdade, não é o facto de não as ter alcançado que me chateia porque, olhando bem, até tenho uma grande parte delas. O que me consome é estar a desaprender a ter os sonhos desmedidos que tinha na altura, porque a vida me está a ensinar ao contrário, não sei bem como. Não sou, nunca fui resignada, mas, de vez em quando, sinto essa invasão da espera, da ignorância, da insegurança e da desorientação. Dou comigo a destilar lágrimas, a andar sem rumo numa noite gelada de Novembro, enquanto os meus pais me ligam para o telemóvel que deixei em casa e dois dos meus melhores amigos aguardam com paciência o meu regresso. E quando penso nisso e procuro uma razão para me sentir desolada, vejo a ameaça de “viver pouco” à minha porta e um mundo puro de sonhos e contos de fadas que é cada vez mais difícil de materializar. Acho que me estou a tornar definitivamente adulta, e isso é uma treta. Sim, é uma treta, porque jurei a mim própria que isso nunca me ia acontecer, não a mim. Bem, aqui estou eu a mergulhar na amargura de uma promessa que me parece que não vou conseguir cumprir. Preciso de reencontrar esse universo, porque este me deixa descalça e desorientada.

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