Musas, inspirações e outros

De todas as vezes que se fala de pessoas que são inspirações para outras, nomeadamente artistas, pensamos em musas. A imagem que me vem à cabeça é talvez a de qualquer coisa ao género do filme Titanic, em que uma belíssima mulher posa – nua ou não, é um bocado indiferente – num bonito sofá para um pintor concentrado, meio na arte, meio na beleza dela. Mas uma coisa que me faz impressão é que isso não se possa inverter. Há imensas músicas acerca delas, do quão elas os levam à loucura. Não que não as haja de raparigas para rapazes, ou de raparigas para raparigas, mas quais aquelas que assumem mesmo uma pessoa concreta como inspiração? Não há nenhuma Hey there, Delilah, nenhum Songs about Jane e outros para rapazes, delas para eles, ou pelo menos não é habitual. Ao pensarmos em musa, é a rapariga que nos vem à cabeça, não o rapaz, ainda que seja possível. Não acho justo – não sei se é bem justiça o que está aqui em questão, mas à falta de melhor termo… – que não haja uma concepção em que quem compõe a obra de arte é a rapariga e o objecto de inspiração seja o rapaz. Não que a imagem do rapaz a pousar para a rapariga seja aquela que me ataca a mente quando penso nisso, mas acho que tenho rapazes para quem olho e que me inspiram, não porque estou apaixonada ou interessada nalgum tipo de relação, mas porque são, passo a redundância, genuína fonte de inspiração, e incomoda-me que tenha de sentir estranheza em relação a isto. Não que alguém mo imponha, mas porque está na minha cabeça, porque é a mim que é estranho o conceito, embora o ponha em prática sem sequer dar por isso. Mas, precisamente por ter chegado à conclusão de que tenho inspirações que posso chamar de musas e que isso não tem nada a ver com interesses amorosos, vou deixar de me armar em preconceituosa – curiosamente em relação a mim própria – e a assumir que há coisas que nascem porque há pessoas que me inspiram. E, agora que penso nisso, é mais ou menos como o nascer de uma criança, excepto a parte de ser uma obra de arte. E, no final de contas, não serão elas apenas o nascimento através de um outro tipo de amor?

E, enquanto aqui penso, o vento lá fora ralha-me coisas que não entendo.

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