Êxtase

Existem várias coisas capazes de nos deixar em êxtase: uma resposta positiva, um concerto fantástico, uma história que nos toca especialmente, um olhar… Todas elas coisas fugazes, que o tempo varre mais depressa que as outras e a memória guarda ainda com mais afinco. E a sensação… Oh, a sensação de conseguir virar o mundo de pernas para o ar com um estalar de dedos… É tão rara quanto poderosa. E os fios que solta da nossa emaranhada teia, e com eles mais sonhos, mais conquistas destemidas! Somos tão vulneráveis a esses momentos, apegamo-nos a eles de tal modo que, se nos tirassem, tiravam-nos as luzes para enxergarmos caminhos e tomar rumos. Esse êxtase que procuramos, essas razões de viver continuamente substituídas por novas buscas, novas luzes… é isso que eu guardo para quando perceber que existem condições na resposta, que o concerto já acabou e não se vai repetir nunca mais, que a história não é a minha, nem é de ninguém, e que o olhar deixou tantas esperanças quanto dúvidas. Isto porque cada vez vejo menos sentido em acreditar mais nesse lado do que no outro. É claro que o outro acaba por me cair em cima, é um facto. E que esses momentos pequeninos são a grande subida para uma queda maior. Mas de que vale subir se não for até aos grandes píncaros? A descida pode ser abrupta, mas saberemos que provámos aquela sensação, a do vento a bater-nos na cara no cimo, a sussurrar-nos coisas boas ao ouvido…Será que guardá-la nos salvará da queda?

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