Morreste-me, de José Luís Peixoto

Quetzal Editores, Lisboa, Maio 2000; revisão de Pedro Ernesto Ferreira

Li este pequeno livro no princípio de uma tarde, ao sol pálido do Inverno na minha ilha, no meu pequenino jardim, todo de uma vez só, com o privilégio do silêncio com que fui brindada, coisa rara. Foi-me recomendado por uma amiga, a Inês, que ressalvou sobretudo a qualidade da escrita do autor e a profundidade do assunto tratado. De facto, não nos enganemos pela nota “Ficção” abaixo do título. José Luís Peixoto abre-nos as portas neste livro a uma narrativa muito pessoal e emotiva que dificilmente nos deixa indiferentes, sobretudo aqueles que já experienciaram a partida de um familiar próximo ou amigo. Semi prosa, semi poesia, esta é uma leitura que põe os sentimentos a nu em folhas de papel e constituída por palavras cuidadosamente escolhidas, cada uma com o seu peso especial.

A sensação com que fico é a de querer aproveitar cada momento que vivo com aqueles que amo e guardar aqueles que passaram como tesouros raros e impagáveis. Mais que isso, trouxe-me uma certa nostalgia de infância, das brincadeiras com os meus pais e avós e do quão seguras as coisas pareciam na altura, até a vida avisar que o mundo não é cor-de-rosa. É, sem dúvida, uma homenagem muito profunda a José João Serrano Peixoto, com uma mensagem inevitável de esperança sem certezas nem medidas.

“Como eu, esperavam; não a morte, que nós (…) fechamos-lhe sempre os olhos na esperança pálida de que, se não a virmos, ela não nos verá.”

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