O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë

“O Monte dos Vendavais é uma das grandes obras-primas da literatura inglesa. Único romance escrito por Emily Brontë, é a narrativa poderosa e tragicamente bela da paixão de Heathcliff e Catherine Earnshaw, de um amor tempestuoso e quase demoníaco que acabará por afectar as vidas de todos aqueles que os rodeiam como uma maldição. Adoptado em criança pelo patriarca da família Earnshaw, o senhor do Monte dos Vendavais, Heathcliff é ostracizado por Hindley, o filho legítimo e levado a acreditar que Catherine, a irmã dele, não corresponde à intensidade dos seus sentimentos. Abandona assim o Monte dos Vendavais para regressar anos mais tarde disposto a levar a cabo a mais tenebrosa vingança. Magistral na construção da trama narrativa, na singularidade e força das personagens, na grandeza poética da sua visão, nodoso e agreste como a raiz da urze que cobre as charnecas de Yorkshire, O Monte dos Vendavais reveste-se da intemporalidade inerente à grande leitura.”

Editorial Presença, Lisboa, Outubro 2009; tradução de Fernanda Pinto Rodrigues

Este foi o último livro que li em 2009, embora o tenha terminado em 2010. Com a leitura encaixada em tardes chuvosas, passadas à lareira, e um vendaval real a atormentar os Açores, fui-me envolvendo cada vez mais na história que, a princípio, interpretei em modos muito simples, demasiado superficiais. Revoltei-me, a princípio, com o temperamento tão difícil das personagens, que não me despertava compaixão alguma, mas rapidamente me envolvi nos relatos pormenorizados de Ellen e comecei a juntar as peças do puzzle que nos é apresentado já feito nos capítulos iniciais. A motivação para me dedicar a esta leitura surgiu após ter lido um outro livro, o Eclipse, de Stephenie Meyer, onde as referências a esta obra se multiplicam. Achei curioso que, apesar de histórias tão distintas, uma ajude a compreender a outra, ou pelo menos determinados comportamentos de personagens. Refiro-me ao complicado amor que une Catherine Earnshaw e Heathcliff e lhes tira grande parte da racionalidade. A inevitabilidade que este implica, a impossibilidade de fuga, ajuda, sem dúvida, a entender o próprio amor da Bella e do Edward, tão louco e inevitável quanto este, e a  sua própria índole altruísta. Catherine e Heathcliff, por mais impertinentes e egoístas que por vezes parecessem, tornaram bem claro que dariam tudo para que o outro estivesse bem e feliz. Não tive oportunidade de confirmar se é esta a passagem que Meyer inclui em Eclipse, mas há uma parte, em que Heathcliff distingue o amor que ele tem por Catherine do amor que Linton tem por ela, dizendo que, estivesse ele no seu lugar e soubesse que vê-lo a fazia feliz, o permitiria, que me faz lembrar os pensamentos de Edward em relação a Jacob.

Confesso-me surpreendida por ter gostado tanto deste livro, com um final agridoce que nos deixa simultaneamente uma sensação de esperança e estranha paz interior perante amores tão desesperados e imperfeitos mas, acima de tudo, autênticos.

“(…) a traição e a violência são lanças aguçadas de ambos os lados: ferem mais gravemente aqueles que recorrem a elas do que os seus inimigos.”

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